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Saúde, Saúde mental, Saúde populacional

Janeiro Branco: a importância de cuidar da saúde mental

Estudos realizados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pela OPAS (Organização Pan-americana da Saúde) apontam o Brasil como o país mais ansioso do mundo, e o segundo em casos de depressão no continente americano. 

Os transtornos ansiosos e depressivos são os que mais atingem pessoas em todo o planeta, o que ressalta a urgência de ampliarmos o debate sobre a importância da saúde mental e o impacto dos transtornos mentais na sociedade. 

A iniciativa de dedicar um mês especialmente para a conscientização sobre saúde mental e promover os cuidados foi batizada de Janeiro Branco, e traz à tona questões sobre a prioridade global de saúde que afeta diversas áreas da sociedade. Criada em 2014 por psicólogos de Minas Gerais, a cor branca faz referência à tradição de usar roupas brancas nas festividades de fim de ano. Simbolicamente, representa uma página em branco para novas resoluções e experiências.

Relação com a pandemia

Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, entre um terço e metade da população exposta ao cenário pandêmico pode vir a sofrer alguma psicopatologia, caso não haja intervenção de cuidado para sintomas demonstrados. O aumento de sofrimento psíquico na população durante uma pandemia é comum, sendo ainda mais provável se manifestar em quem já apresentava condições preexistentes. Sentimentos como o constante estado de alerta, a preocupação e a solidão, causada pelo isolamento social, podem se atrelar à redução de estímulos e problemas financeiros por impedir o trabalho presencial, trazendo vulnerabilidade diante das incertezas do momento — tudo isso faz com que o sofrimento psíquico seja mais comum e provável.

É importante ter em mente que não são todos os problemas psicológicos e sociais que se qualificam como psicopatologias, sendo em maioria reações normais do ser humano ao se deparar com uma situação incomum. Sentimentos como angústia, irritabilidade, solidão, tristeza, raiva, impotência e desamparo são comuns e perfeitamente saudáveis, desde que não persistam por longos períodos.  O medo de contrair uma doença pode funcionar como um fator de proteção em alguns casos, pois estimula um comportamento mais cuidadoso quanto ao contágio. No caso de um vírus novo, com potencial de fatalidade e pouco conhecido, a situação afeta diretamente o bem-estar mental da população.

As restrições de deslocamento e suspensão de atividades coletivas como locais de trabalho, escolas, lazer e convívio acabam aumentando o contato entre os moradores de um mesmo lar

Econômico e corporativo

O cenário econômico e corporativo também sofre impacto direto, uma vez que a saúde mental é considerada a segunda causa de afastamento laboral, o que aumenta o estigma pessoal de incapacidade e traz um novo desafio para a saúde suplementar no Brasil. Segundo a ANS, só em 2019, cerca de 29 milhões de procedimentos foram registrados por beneficiários de planos de saúde, todos relacionados ao cuidado em saúde mental. 

Há a expectativa de aumento no sentimento de letargia e queda na capacidade de concentração. Isso ocorre por receberem um grande volume de informações e sofrerem mudanças recorrentes durante um período instável. Essas mudanças também prejudicam a saúde mental com o agravamento de transtornos que já existiam, além do aumento das chances de desenvolver distúrbios do sono e o aparecimento de outros sintomas antes não experienciados.

Autocuidado

Diante do que foi exposto, é imprescindível manter os cuidados e tratamentos relacionados à saúde mental mesmo durante a pandemia do COVID-19, onde o aumento de ideação suicida se mostra crescente. Se precisar, ligue para o Centro de Valorização da Vida – CVV 188 a qualquer horário e de forma gratuita. A assistência à saúde mental agora pode ser realizada por teleconsulta, e o apoio psicossocial ajuda a salvar vidas. 

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Dicas para cuidar da saúde mental

Para enfrentar os desafios em saúde mental e atenção psicossocial durante o contexto pandêmico em que vivemos, a Fiocruz lançou uma série de cartilhas que trazem recomendações. As publicações se destinam a grupos específicos como crianças, cuidadores de idosos, gestores, trabalhadores dos serviços de saúde e psicólogos hospitalares. Esses grupos apresentam maior chance de ter reações comportamentais mais frequentes, além de danos oriundos do isolamento.  Confira aqui algumas recomendações:  

• Utilize ferramentas e estratégias de cuidado que você já tenha usado em momentos de crise ou sofrimento, essas ações podem trazer sensação de maior estabilidade emocional. Caso julgue necessário, procure um profissional de saúde quando essas estratégias não sejam suficientes para sua estabilização emocional; 

• Pratique exercícios e atividades que ajudem a reduzir o nível de estresse agudo (como meditação, leitura, corrida, exercícios de respiração, habilidades manuais,entre outras) para evitar o uso de outras válvulas de escape prejudiciais à saúde como o cigarro, álcool ou outras drogas;

• Caso você esteja trabalhando durante a pandemia, não negligencie suas necessidades básicas. Faça pausas sistemáticas durante o trabalho e entre os turnos para manter o equilíbrio durante o desenvolvimento das tarefas. 

• Invista em ações compartilhadas de cuidado para se conectar, da maneira que é possível, com o sentimento de sociabilidade. Você pode realizar ações solidárias ou de cuidado familiar, por exemplo. Mantendo sua rede socioafetiva ativa, mesmo que realizando contato virtual com familiares, amigos e colegas, você pode conversar com pessoas de confiança para reconhecer e acolher seus receios e medos.

Leia também: Expectativas para vacinação contra o COVID-19 no ambiente corporativo

Conta pra gente: você está praticando o autocuidado durante a quarentena? Tem dado atenção ao seu psicológico? Qual foi a parte mais difícil do isolamento social? Compartilhe sua experiência pelos comentários, e continue acompanhando nossos conteúdos! 😉

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